Boa Esperança, 11/08/2009

Não dá para viver sem limites




A sociedade evolui e com ela surge a necessidade de se adequar às novas realidades. Isso é fato inegável e sabemos que faz parte da trajetória humana. Porém, com a correria do dia-a-dia e com tantos afazeres, muitas famílias se preocupam mais com o ter do que com o ser, e pecam, por assim dizer, na educação de seus filhos. Essa necessidade de ter cada vez mais ou simplesmente de garantir a sobrevivência leva a um afastamento dos membros da família. Muitos pais, que trabalham longe dos filhos por horas seguidas, acabam por não disporem do tempo necessário para uma conversa com eles ou para acompanhar até mesmo a vida escolar dos jovens. Deixam de verificar qual o tipo de página que visitam na Internet ou simplesmente desconhecem suas companhias.

 Com tanta liberdade, a criança ou adolescente, por não possuir uma opinião formada sobre os assuntos que o cerca, acaba por absorver o que acha conveniente; passa a viver num mundo imaginário onde não há regras, desconhecendo o sentido da palavra  “não”, ou seja, falta-lhes limite.

Dessa forma, surge outro problema, pois pais conscientes tentam suprir sua própria ausência investindo na qualidade do tempo disponível para o lar, no intuito de garantir uma educação ideal aos menores. Por outro lado, existem aqueles que sentem uma espécie de culpa por não agirem mais ativamente na vida dos seus e optam por uma compensação material. Providenciam os objetos de seus desejos, sem perceber que, para a criança, o aprendizado com familiares é mais importante do que ganhar um brinquedo ou eletrônico de última geração. Esse aprendizado é algo que levarão pela vida toda.

Frequentemente assistimos, na TV, a debates sobre a questão ou ouvimos psicólogos explicarem a necessidade de se dizer “não” para que a criança aprenda a conviver com as negações que surgirão ao longo de sua vida. É importante ressaltar que o mundo liberal (seja na vida escolar, no local de trabalho, na vida em família ou em sociedade), onde se pode tudo não existe.

Então eis a questão: se, ao viver em sociedade, precisamos seguir determinadas regras para uma melhor convivência ou simplesmente não invadir o espaço do outro, qual o sentido da falta de limites para uma criança ou adolescente? Bem, nenhum. Esta, talvez seja a resposta mais coerente, pois como imaginar que uma criança se tornará um adulto crítico e atuante no mundo em que vive se ele não aprendeu a refletir, a avaliar seus erros ou aceitar nãos?

Educar não é uma tarefa fácil e sabemos da inexistência de respostas prontas para as mais variadas indagações que surgem na cabeça dos pais ao se darem conta de que seus filhos estão crescendo; também não há uma receita única com resultado garantido. Mas com certeza, ninguém se tornará um adulto consciente se não aprender que seus direitos estão permeados pelos direitos dos outros.

Trata-se, aqui, de respeito e não de submissão, já que muitos entendem de forma equivocada que, ao limitarem as ações de crianças, estariam criando adultos submissos, e isso não é verdade. Há, ainda, a perda de valores, que “vem no pacote”, junto com a falta de limite.

Assim, uma vez em sociedade e como seres pensantes que somos, não dá para viver alheio aos valores, hoje tão questionados e muitas vezes ignorados. Sem eles, perde-se o respeito e o homem se torna cada vez mais individualista.

 Neste mundo, a cada dia mais globalizado, não se pode aceitar que cada um se basta. É preciso reaprender a primar os valores e o que significam na vida de cada um de nós. E a família, como berço e aconchego, deve propiciar momentos de reflexão e até mesmo de cobrança de atitudes para que seus filhos cresçam conscientes, sabendo o verdadeiro significado da palavra cidadão.

Além disso, sabe-se que para cada ação há uma reação, então por que não ensinar às crianças quais consequências serão o fruto de suas atitudes?



Autor: Eni Paixão (Coordenadora de Jornal - PasCom)




Comentários:

Edson
29 de agosto de 2009

""Concordo com a idéia. Ninguém pode viver sem limites e quando os temos, entendemos o significado da palavra valores.""


Lidiane
29 de agosto de 2009

"Limite é necessário e temos mesmmo que ensinar nossos jovens como trabalhar com eles. Excelente texto!"


CACAU
23 de agosto de 2009

"Parabéns, Eni pelo artigo. A família, Igreja doméstica, é o lugar privilegiado para cultivar os valores humanos, espirituais e sociais.É dever dos pais, sobretudo pelo exemplo,cumprir a missão de formadores, educadores e promotores do desenvolvimento dos filhos! Fico feliz por integrar ao Jornal PasCom."


Cleide
19 de agosto de 2009

"A formação moral e religiosa da pessoa humana acontece enquanto está no seio da família. A criança sente necessidade de pais presentes, que mais que bens materiais lhe proporcione amor. É na família que se conhece a Deus em plenitude, por isso deve servir de modelo a família de Nazaré, onde o diálogo e o amor prevaleceram. A imposição de limites aos filhos é resultado do amor de seus pais."






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